Duas operações de infraestrutura do grupo Odebrecht estão sendo afetadas pelo envolvimento de construtoras nas investigações da Operação Lava Jato, que apura esquema de propina e lavagem de dinheiro na Petrobras. Conforme apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, a emissão de R$ 300 milhões da SuperVia, controlada pela Odebrecht TransPort, pode enfrentar dificuldade na distribuição, já que alguns investidores institucionais teriam manifestado restrições à operação. Já a subsidiária da Odebrecht Ambiental, a Odebrecht Ambiental-Saneatins, teria postergado um nondeal roadshow, onde mostraria as propostas de investimento da empresa para futuramente dar andamento a uma emissão de debêntures de infraestrutura em saneamento. A SuperVia realizou esta semana o último encontro de uma série de três com investidores, que reuniram-se com o acionista Odebrecht Transport. De acordo com fontes do mercado, os encontros já estavam programados desde o início dos trabalhos para colocar a emissão em pé. Um profissional que se reuniu com a empresa disse que havia esforço para identificar demanda e que os executivos buscaram tranquilizar os participantes sobre os eventos recentes. Procurados, a SuperVias, o BB Investimentos, Itaú BBA e a XP não comentaram. A Odebrecht Ambiental disse que a companhia estuda emissão de debêntures de infraestrutura e que a agenda de reunião com alguns bancos marcada para apresentação da proposta foi adiada "por conta do atual quadro do mercado de capitais no País". A empresa diz ainda que a "proposta de emissão está sendo trabalhada de forma a torná-la mais atraente dentro do contexto corrente do crédito". Fora dos dois casos, comenta-se que a apuração sobre contratos da Petrobras e empreiteiras deixou o investidor ainda mais seletivo e exigindo maior prêmio nas cotações de preços que os originadores fazem com o mercado para novas colocações. Mas os profissionais evitam ser taxativos sobre o que acontecerá efetivamente com o mercado de debêntures de infraestrutura em virtude dessas investigações e do fato de que a maior parte das emissões que está no pipeline é ou tem relação com tais empreiteiras. A percepção geral é a de que o esclarecimento dos fatos envolvendo a Petrobras e as construtoras levará tempo e que, mesmo assim, as operações de renda fixa não ficarão paralisadas.

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